Você não me conhecia antes de eu te conhecer e é a distância que nos faz, cada vez mais, desconhecidos. Se eu fosse de gritar, daria os gritos mais altos. Mas não sou de gritar. E dizer qualquer coisa também não quero. Sei lá, não sei, mesmo tendo total certeza, nos mínimos detalhes, de absolutamente tudo. Erupções interiores que estavam esquecidas e que dormir começou a me fazer lembrar.
É sempre assim. Se despedir sem olhar pra trás uma hora acaba fazendo todo o cinismo se voltar contra nós. O que eu posso fazer com alguém que me fala poesia, mas que não tem mais lugar no meu poema em linha reta? Vamos sentar e conversar pra você me perguntar alguma coisa que não vai descer bem nem com cerveja nem com amor.
Fazseguinte, desaparece da minhamesa. Fazseguinte, aparece na frente - dosmeusolhos.
Fazseguinte, faz qualquer coisa. Não, não faz nada.
Eu sei, nada não dá. Tá vendo? É por isso o meu silêncio.
Assim eu fico muda e não faço cara de chata.
- E então?
Olha, eu não disse nada porque se eu me arrependesse depois eu não poderia pedir pra você esquecer o que ouviu. Se eu pedisse, me arrependeria de pedir, e se eu me arrependesse eu já teria ido longe demais do que eu considero razoável fazer - mas eu sei que tentaria, de modo que se eu ficasse puta não seria com você, apesar de que você acabar achando que sim.
Tá entendendo? Entramos num mundo cubista sem Picasso nos pinceis, quadros guardados na memória e fotografias para lembrar. Toda vez que eu trago uma memória de volta pra perto, para a borda dos meus pensamentos, eu vejo nelas um lado diferente: há 40 dias eu já não via mais nada, mas há 4 anos eu só via coisas bonitas, época em que eu podia derreter no meio de quadrados com infinitos lados, quadrados que iam girando e voltando ao zero e de repente saltavam pro lado escuro da lua. Onde já estivemos, sorrindo de olhos fechados.
- O pior de tudo é não ter culpa. Não me sentir nenhum pouquinho culpada. E não conhecer ninguém que seja dono dela a não ser esse pinball velho que me dá os maiores prêmios e depois emperra a minha bolinha. Tilt, entende?
Tilt - e não sabemos qual vai ser a próxima jogada. Antes da derrota você disse que até aceitaria um W.O. O único medo mesmo era do empate, porque assim ninguém iria pra final. Até ficaria mais intrigante e autoaderente, mas no fim só restaria a autocorrosividade, que não se aguenta por muito tempo em um papel que não faz parte do seu filme.
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De volta ao cubismo, atrás do holofote, mesmo um grande ator quando resolve se mexer sempre faz o que não devia. Sempre pisa em falso entre os quadrados. Mas aí que está. O teatro do absurdo está aberto 24 horas por dia, sem hora pra ensaios, então ele apenas improvisa algum novo número e inventa falas que se misturam com a cena que se abre diante de seus olhos.
Pode ser que seja um sucesso.
Pode ser que seja um sucesso.
Não entendem o meu romantismo por eu ser de 4ª geração.