O que resta na minha lembrança agora se assemelha a uma janela quebrada. Toda vez que volto a ela acabo me cortando com algum caco de vidro de persiste preso em seu canto. Mas você pode começar a suspirar de cansaço pois eu já planejo seu descanso. É que os vidros pontiagudos da janela já estão muito pequenos. Os cortes que tenho agora nem mais doem direito.
Isso é verdade? Tudo o que eu sei é que você tem se mantido no fundo do quarto, longe da claridade que as lembranças de mim te trazem. Eu sei que você ainda usa esparadrapos manchados e soletra em silêncio meu nome, já que não consegue há muito dizê-lo por inteiro.
Diria agora se fosse preciso, mas isso não vem ao caso. Logo atravessarei aquela janela sem me ferir e você vai ficar nas paredes. Grudado na argamassa que te absorveu por completo e quase me levou junto. Como quer, você volta pro seu lugar.
- E você, vai pra onde?
Vou. E isso é o que importa. Se você se lembra, nós dois quebramos a janela. Com os corpos grudados não evitamos a colisão por puro capricho. Mutua e silenciosamente entendemos o que tinha acontecido. Como se dois rios de água completamente diferentes tivessem se misturado, não nos deixando mais opção de nadarmos juntos. Pois cada um só sabia nadar em um deles.
Não entendem o meu romantismo por eu ser de 4ª geração.