Na sexta série, a professora de português pediu para que todos os alunos escrevessem uma descrição de um amigo da sala. Guilherme, insatisfeito em falar sobre apenas um de seus amigos, ignorou o que a professora tinha dito e resolveu descrever seu grupo de amigos, os quais achava serem muito leais, "amigos mesmo", ainda que tendessem a "brincadeiras sem graça". Quando entregou a redação, estava satisfeito.
No dia seguinte, cada aluno leria sua redação para a turma e ele só pensava em como a dele se diferenciaria das dos outros. No dia seguinte, a professora entrou na sala e a maioria dos alunos já sabia sobre quem cada um tinha escrito.
E começaram as leituras. Uma menina falava sobre sua melhor amiga, um garoto acabava entregando o romance do seu amigo com uma outra garota, até que Rafael foi à frente da sala. Guilherme estava lendo e relendo sua redação, não queria engasgar em nenhuma parte. Mas parou tudo quando ouviu Rafael dizendo que sua redação era sobre o Guilherme.
De novidade, Guilherme nada ouviu. Uma descrição realmente verdadeira, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. Ele concordava até com a assertiva final de seu amigo, a qual dizia "Resumindo, Guilherme não sabe jogar futebol". Mas ainda que a descrição de Rafael não tenha causado nenhum embaraço para Guilherme, ele ouviu aquilo tudo se sentindo um tanto quanto estranho. Sua atenção, que antes estava toda voltada para a redação que leria em seguida, desmembrou-se em um milhão de caquinhos que, naquele momento, Guilherme nem conseguia saber como começar a juntar novamente.
Então foi chamado pela professora, levantou-se e leu sua redação como se nenhum esforço tivesse sido usado em sua escrita. Sentou-se novamente no seu lugar e pediu para ler a redação de Rafael de novo. Aos poucos Guilherme entendeu o quanto tudo o fascinava naquela história. Pela primeira vez ele se descobria no olhar do outro. Pistas inconclusivas de como era estavam agora às claras para ele na letra feia e insegura de seu amigo. Aquela redação materializava sua pessoa.
"É... sou isso mesmo..." pensava Guilherme.
Nas semanas seguintes quase se vislumbrou mudando de atitude para condizer com sua descrição. Sendo daquele jeito, Guilherme sabia o que era. Se fizesse um golaço na próxima aula de educação física, poderia perder todos os seus amigos.
No dia seguinte, cada aluno leria sua redação para a turma e ele só pensava em como a dele se diferenciaria das dos outros. No dia seguinte, a professora entrou na sala e a maioria dos alunos já sabia sobre quem cada um tinha escrito.
E começaram as leituras. Uma menina falava sobre sua melhor amiga, um garoto acabava entregando o romance do seu amigo com uma outra garota, até que Rafael foi à frente da sala. Guilherme estava lendo e relendo sua redação, não queria engasgar em nenhuma parte. Mas parou tudo quando ouviu Rafael dizendo que sua redação era sobre o Guilherme.
De novidade, Guilherme nada ouviu. Uma descrição realmente verdadeira, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. Ele concordava até com a assertiva final de seu amigo, a qual dizia "Resumindo, Guilherme não sabe jogar futebol". Mas ainda que a descrição de Rafael não tenha causado nenhum embaraço para Guilherme, ele ouviu aquilo tudo se sentindo um tanto quanto estranho. Sua atenção, que antes estava toda voltada para a redação que leria em seguida, desmembrou-se em um milhão de caquinhos que, naquele momento, Guilherme nem conseguia saber como começar a juntar novamente.
Então foi chamado pela professora, levantou-se e leu sua redação como se nenhum esforço tivesse sido usado em sua escrita. Sentou-se novamente no seu lugar e pediu para ler a redação de Rafael de novo. Aos poucos Guilherme entendeu o quanto tudo o fascinava naquela história. Pela primeira vez ele se descobria no olhar do outro. Pistas inconclusivas de como era estavam agora às claras para ele na letra feia e insegura de seu amigo. Aquela redação materializava sua pessoa.
"É... sou isso mesmo..." pensava Guilherme.
Nas semanas seguintes quase se vislumbrou mudando de atitude para condizer com sua descrição. Sendo daquele jeito, Guilherme sabia o que era. Se fizesse um golaço na próxima aula de educação física, poderia perder todos os seus amigos.
Não entendem o meu romantismo por eu ser de 4ª geração.