segunda-feira, novembro 09, 2009

Se a história fosse curta não merecia frames

Eu quero ser confessional agora porque há 1 página era um ano atrás e este blog recomeça por aqui. É bom pensar na vida assim, de propósito.

Se tem uma coisa que talvez empaque minha entropia sem fim sou eu. E essa sensação de desperdício que eu sinto direto. Dizem que contar uma notícia, uma história, seja lá o que for, significa fazer escolhas. Porque a partir do momento em que resolvo focar um ângulo, outros lados vão se perder, nuances inteiras vão ser simplesmente deixadas de lado. Eu odeio isso. Eu queria viver tudo, eu queria ter tudo. No máximo, pé no acelerador, sem cinto de segurança, sorrindo, gritando... E se a metáfora puder significar alguma coisa, o que se retira dela é o fim inevitável: uma batida. Feia.

Então eu vou a festas domingo à noite, observo a segunda-feira na praça pública, de vez em quando escrevo, arranjo cursos complicados ou complico mais ainda casos mal-resolvidos, não entro quase nunca nas aulas da faculdade porque botei na minha cabeça que não preciso. Mas preciso e, lógico, me importo. Me importo e me preocupo por saber que tem um vacilo meu ali, que estou desperdiçando uma boa oportunidade de aprender coisas, de fazer uso de toda a minha competência... É que tem um negócio de heróico-decadente nisso que diz que eu não posso me deixar enquadrar, que eu tenho que fugir das normas. Que aproveitar a vida e só mandar bem nas burocracias não existe. São inconciliáveis formas de se ater ao chão.

Em certas situações isso fica tão ambíguo por causa da névoa que pintei na frente dos meus olhos que não enxergo senão um precipício a dois palmos do nariz, mesmo que ali esteja a possibilidade para um certo tipo de paraíso. Porque paraísos são efêmeros e eu só gostaria de um que fosse infinito.