Descobrir-se perdido enquanto se faz um caminho qualquer, após um instinto desconhecido ter anestesiado sua necessidade de refletir sobre seu próprio caminho, é como ficar preso entre as ferragens do automóvel que você dirigia a alta velocidade em uma grande estrada reta e vazia (sua endorfina desembocando feito cachoeira junto à enchente de adrenalina dos fluidos cerebrais) quando, então, um carro da Transportadora Consciência Ltda. surge no cruzamento e a colisão entre vocês é patética e brutal (a euforia ganha gosto de sangue). Ouve-se um rangido, os olhos se fecham, sentem-se os primeiros sinais da imobilidade. Ou seja, quando você descobre que está perdido no meio de algo e que você nem ao menos se lembra do seu destino, é exatamente assim: como se você ficasse preso entre as ferragens.
Porque se você resolver se mexer para tentar descobrir onde está, você pode se machucar todo e ainda descobrir que não havia destino nenhum, ou que você já há muito passou por ele. Você pode descobrir que não foi embora e sim foi expulso, você pode descobrir que os seus objetivos não tem sentido algum para o mundo real, você pode ficar sabendo daquilo que preferia não lembrar e por aí vai.
Por outro lado, se você resolver ficar ali, preso entre as ferragens, pode ser que você não sinta a dor de forma tão rápida e lancinante quanto sentiria se resolvesse se mexer. Em compensação, os ferros retorcidos que entraram sua barriga, apesar de você não senti-los agora, eles enferrujarão ali dentro, depois. E ninguém vai poder te ajudar com isso. Ou seja, se você resolver ficar preso entre as ferragens, não conseguirá resolver em nada a situação, irá apenas colocá-la em slow motion.
Não entendem o meu romantismo por eu ser de 4ª geração.