sábado, abril 25, 2009

Solitude

Um dia você acorda e vê que está sozinha. Mesmo esse garoto deitado ao seu lado não consegue saber o que se passa pela sua cabeça. Mesmo um amigo de confissões tortuosas em tardes de bar tem que fazer um esforço para te entender. E você racionaliza. Só que rápido você não sabe oralizar ou verbalizar o que te impacienta silenciosamente - você não consegue nem ao menos fazer disso algo concreto. Mas isso está lá, só você sente isso e se sente bem consigo mesma.

Eu nem sei nada sobre ele. Mas ele é definitivamente normal. Às vezes me irrita, porque eu deito no colo dele e fico calada, pensando que tudo o que ele tem a me oferecer é o colo. E ele definitivamente me deixa normal. Como se eu não devesse ousar algum tipo de transcendência ou transbordasse umas gotas a mais de melancolia. Eu tenho problemas em ser uma pessoa andando no meio da multidão; me sinto mais tranqüila olhando a multidão enquanto ando. O que me leva a um sofisma, senão me engano, de que ele me irrita porque teoricamente ele me faz bem. Porque aí eu não posso culpá-lo.

Eu nem sei nada sobre mim. Eu sou um ser impermeável. Nada me atinge, eu não acerto nada. Nada sai de mim e nada consegue se infiltrar. Ou tudo ao contrário. São tantas coisas. E eu não consigo me segurar no chão. Eu tenho que subir e me desligar como um sistema cansado, como um gerador elétrico explodindo discretamente.

Pois é, eu sinto muito, mas no momento eu não sei sentir porque no momento eu sinto demais.